Equipes da PM (Polícia Militar) realizaram uma nova operação na região da cracolândia, no centro de São Paulo, neste domingo (11). A ação aconteceu na praça Princesa Isabel e teve como alvo o “combate ao tráfico de entorpecentes”, segundo a PM. “Hoje foi feito um trabalho importante. Dois traficantes foram presos, drogas foram apreendidas”, disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que esteve no local ao lado do prefeito paulistano João Doria, seu colega de partido.


Ao menos uma pessoa teria ficado ferida, mas os órgãos de segurança não confirmam a informação. O governador disse que a ação policial foi “bem planejada” e que o trabalho também é “social e médico”. “A dependência química é doença crônica, não resolve em 24 horas. Esse é um trabalho permanente.”
Alckmin falou que as concentrações de usuários devem ser combatidas porque elas facilitam “a vida do traficante”. “Você dificulta a abordagem [do trabalho social]. Tem que ser um trabalho de tirar o traficante, prender o traficante”, declarou o tucano.
No dia 21 de maio, quando outra operação foi feita na região, Doria chegou a dizer que a cracolândia havia acabado. Desta vez, tanto Alckmin quanto o prefeito disseram que as ações contra cracolândias não têm data para terminar. Para o governador, são necessárias quatro frentes para combater o problema: saúde pública, área social, segurança e a revitalização da região.
Dispersão
Em função da operação, os usuários se dispersaram novamente por ruas do centro paulistano. Assim que perceberam a movimentação policial, muitos usuários de drogas e traficantes começaram a deixar a praça em direção à estação da Luz e ao elevado João Goulart, o Minhocão, abandonando as inúmeras barracas montadas ao longo de três semanas no novo ponto de venda e consumo de crack. “Não podemos proibir as pessoas de circular”, disse Doria. “O fluxo vai diminuir.”
Viaturas da PM já bloqueavam as avenidas Rio Branco e Duque de Caxias quando o helicóptero de corporação sobrevoou pela primeira vez a região, às 6h24. O barulho soou como mais um alarme de retirada dos acampados e mais viciados deixaram o reduto.
Fogueiras que tinham sido acesas durante a noite para ajudar a espantar o frio –a temperatura média na capital esta noite foi de 8,7°C–, foram alimentadas pelos dependentes, e o fogo atingiu barracos e acabou se espalhando. Uma nuvem preta cobriu um cenário de lixo e miséria. A PM acionou o Corpo de Bombeiros e homens da Tropa de Choque começaram a entrar na praça usando escudos. Agentes do setor de limpeza da prefeitura foram acionados para limpar a praça e concluir a remoção dos barracos.

A praça Princesa Isabel tornou-se o novo epicentro da cracolândia após a ação

Agentes de limpeza da prefeitura de São Paulo atuam no local após a ação da PM

policial do último dia 21 de maio , que dispersou usuários que ficavam na região da estação da Luz, também no centro paulistano.
Nas redes sociais, o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, criticou a ação. “Alguém acredita que isso vai resolver alguma coisa! Violência contra os irmãos na Praça Princesa Isabel”.